PIPOCA COM GUARANÁ
Sempre fui aficionado em sétima arte e entre males e benefícios, creio que através de cinema o homem se contribui de forma mais humana possível ao seu próprio desenvolvimento evolutivo.
Essa manifestação estética exclusivamente do ser humano se inicia lá no final do ano de 1895 – controvérsias à parte – pelos irmãos Lumière. A junção de várias fotografias para depois decompô-las numa sequencia de imagens que seria a base para projeção das mesmas em movimento: LE CINEMATOGRAPHE.
A nobre expressão artística tomou rumos por vezes perversos na mente, coração e mãos inescrupulosas culminando em espírito orçamentário sobre a qual ela é mensurada nos dias de hoje. Nada contra o aprimoramento tecnológico que demanda tempo e dinheiro (“tempo é dinheiro!”), e cá entre nós, você conseguiria assistir fitas VHS em plena era de Blue Ray? Talvez por esse motivo você só tenha assistido a gravação do seu casamento umas duas ou três vezes (quando muito).
O cinema também possuiu seu papel social e acadêmico ao se projetar como refugio ideal aos “cabuladores” contumazes de antigo ensino ginasial e colegial. Alguns(a) de vocês reconhecerão a rotina subversiva que, a fim de se adequar ao horário escolar, era obrigado a lançar mão de malabarismo multissensorial para assistir ao maior numero de filmes possíveis – geralmente de classificação imprópria (??!!).

Apesar de todo glamour e magia que ele representa, aposto cem reais de que alguns jovens descolados convictos que tenham escolhido cinema como opção de carreira em vestibular não tivessem recebido porrada dos pais e/ou que foram gentilmente convidados a abdicar-se do seu sobrenome – conheço três heróis sobreviventes do massacre familiar em questão.
Alheio ao preconceito social da comunidade coreana sobre os amantes da sétima arte, já houve tempo em que tive o prazer de assistir nove (9) sessões ininterruptas (14 horas menos para banheiro e lanche rápido) durante 1º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Os olhos avermelhados feito zumbi e cabelos escorrendo a óleo e caspa denunciava minha paixão incontrolável pelo universo originário no fenômeno da persistência retiniana (fração de segundos em que a imagem permanece na retina)....bons tempos aqueles!
Na última sexta (dia 08), um casal muito querido cutucou o tigre com vara curta e lá estava eu no conforto de um recinto preparado para assistir ao filme “COURAGEOUS”.
Pão metro, salgadinhos by Yokohama, bolos de sorvete e....entrelaçando picolés com biscoitos e guloseimas nipônicas, o clima transcorreu sereno durante duas horas , por vezes sendo interrompido por soluços de irmãos!!
Senti-me totalmente indefeso e vulnerável diante de cenas completamente verdadeiras, apontando seu dedo inquisidor para bem no centro do meu coração. Não podia chutar o barraco e me levantar dali; a menos que assinasse termo de renuncia ao meu papel paterno selado por Deus.
Por tão pouco deixamos passar momentos verdadeiramente mágicos com nossos filhos e eles nunca retrocedem porque simplesmente são instantes únicos que esvanecem ao Tic Tac infinito de Deus.
Ao fim da dura realidade exibida impiedosamente sob silencio condenatório, limpei as últimas fileiras de lágrimas e na volta para casa uma pergunta: POR QUE (apenas) SÉTIMA ARTE??!!

Comitê Orange Life | A cor laranja é o resultado da mistura entre a cor vermelha e a amarela. O conceito laranja é a fusão entre a igreja e a família. Essa fusão gera uma nova influência. Trata-se do pastoreio da próxima geração pela igreja, juntamente com a família.









